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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Os Caminhos do Ouro
Ouro Preto.JPG


São oitos os locais escolhidos para este concurso na banda sul do continente americano. A incessante febre do ouro foi propósito, pedra de toque e moldura de todos eles.

Na foz do Prata buscou-se não só a passagem para o outro oceano, como também o caminho fluvial para chegar a Potósi, a mítica montanha dos metais preciosos, em pleno Andes, hoje terra peruana. Para controlar esse acesso, nasceu Colónia de Sacramento, que ora perdemos ora ganhamos para os rivais espanhóis, numa renhida luta de séculos. Curiosamente, não é a riqueza que se avista hoje nesta verdadeira pérola do urbanismo ibérico, antes a sobriedade de simples edifícios térreos de telha, arruamentos empedrados, restos de muralha, uma praça e um convento onde foi construído o farol que ilumina o estuário do Prata.

Ouro Preto, vetusta senhora, orgulhosa dos sobrados plantados no alto das colinas, deve a sua designação aos vestígios de metal precioso encerrados em pelotas de óxido de ferro existente na região. É o mesmo ouro, transformado em talha, que embeleza os interiores das várias igrejas barrocas da cidade.

António Manuel Lisboa, o Aleijadinho, é o mais conhecido dos mestres que deram vida a muitas das estátuas que vemos no Museu da Inconfidência e nas igrejas locais e de cidades suas congéneres históricas, caso de Diamantina, Mariana, Tiradentes ou São João Del Rei.

A arte deste mestiço está superiormente representada no exterior e interior do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, que é também, por direito e mérito próprios, Património da Humanidade.

Foi com o ouro extraído das serras de Minas Gerais que se embelezaram os interiores das deslumbrantes igrejas de São Francisco de Assis da Penitência – a de Salvador da Baía e a do Recife –, ambos primorosos exemplos do barroco português que aí surge na sua quinta-essência. Os tectos, as paredes, os altares, os púlpitos e a estatuária em talha dourada, obrigam-nos literalmente a abrir a boca e a pender a cabeça para trás, de espanto e maravilha.

Embora mais modestos de fachada, não ficam atrás em importância histórica e excelência arquitectónica, os mosteiros e as igrejas dedicados a São Bento, no Rio de Janeiro e em Olinda. A profusão de cor dourada nesses imensos quadros de policromia é algo que nos deixa simplesmente rendidos. Acresce o facto de ambos se localizarem em locais privilegiados. O primeiro, à borda da baía de Guanabara; o segundo, num outeiro com vista para as águas esmeralda da costa pernambucana.

Finalmente, e agora no domínio da arquitectura militar, não se pode ignorar a imponente Fortaleza Príncipe da Beira, edificada nos confins do Brasil. Sem qualquer traço de ouro, mas com toneladas e toneladas de pedra acumuladas nas suas muralhas, serviu de atalaia, guarda avançada onde se disputou palmo a palmo a linha fronteiriça que o Tratado de Tordesilhas estipulava. Mas mesmo aqui, onde a Amazónia é já antecâmara do mundo andino, era a miragem do ouro que continuava a ditar as regras.

Estes três últimos locais só os visitarei após a viagem que irei fazer a África e à Ásia, deixando-vos, a partir de agora com o relato do caminho já percorrido, no Uruguai e no Brasil.
publicado por JoaquimMDC às 11:48
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