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Sábado, 4 de Abril de 2009
Uma Patricia e um Gol TV
À noite limito-me a jantar uma empanada de atum no forno e uma tarte olímpica vegetariana. Tudo isto regado com uma deliciosa cerveja Patricia, garrafa antropomórfica (na forma de um corpo de mulher) a 24 pesos (menos de um euro), o preço praticado no Brasil.
Uns quarteirões adiante, e como continuo com fome, paro junto ao Carrito Los Floritos, serviço ambulante fora de horas, para beber mais uma Patricia bem gelada e abocanhar um pancho que, apesar do nome, não passa de um cachorro quente de carne de frango.

Não posso dizer que tenha ficado impressionado com a comida de rua, modalidade que costumo recorrer com bastante frequência e que frequentemente me prenda com excelentes surpresas. Já a fruta e os legumes à venda na lojinha ao lado têm um óptimo aspecto e são baratos. Aparentem até ser produtos de agricultura biológica.
Em sentido oposto, os artigos disponíveis nas prateleiras dos pequenos supermercados da avenida Flores estão claramente inflacionados – tudo é mais caro que em Lisboa.

Este é o meu terceiro dia no Uruguai e só agora encontro disposição (o tempo escuro ajuda) para registar algumas impressões, antes que elas entrem por um olho e saiam pelo outro, que isto de ter dois olhos é como ter dois ouvidos: as sensações, visuais ou auditivas, tão depressa entram como depressa saem.

Está a parecer-me areia demais para um só camião. Fotografar e filmar, embora pareçam não são tarefas complementares. Obrigam a um diferente olhar, a um diferente tipo de concentração. Se juntarmos a isso a escrita, é natural que a pressão redobre. E logo eu, picuinhas, que tudo noto ao pormenor e depois odeio-me porque sei que isso significa trabalho redobrado…
Que não haja equívocos. Para mim, o exercício desta actividade é uma bênção. Estar no terreno, «a experiência é mãe de todas as coisas», evitando as rotinas da vida, ou melhor dizendo, limitando-as ao mínimo prescindível, é tudo o que posso desejar. O pior é quando chega o momento de transferir essa vivência para o computador… Acreditem que nem sempre é tarefa fácil.

Para muitos jornalistas e escritores a sua relação com o teclado é excelente. Ouvi dizer até que há quem escreva várias dezenas de páginas de um livro por dia. Ou melhor, por noite, pois há que entretanto desempenhar uma profissão. Eu não chego aí. A minha primeira preocupação é livrar-me do que apreendi o mais rapidamente possível, teclando – às vezes com grande dose raiva, devo dizê-lo – frase a frase, arrecadando-as regularmente na modalidade «guardar como» que surge ao canto superior esquerdo do processador de texto. E assim vou-me desembaraçando do que gatafunhei nos apontamentos. Cada rascunho traçado com um risco de lapiseira é como um grito de Ipiranga!

Não, não uso cadernos da Moleskin. Qualquer pequeno bloco de notas ou pedaço de papel (guardanapos e papel higiénico incluídos) servem para registar as impressões antes que as esqueça. Quanto à Moleskin… bem, os espanhóis têm um produto no mercado muito semelhante, só que a preços bem mais módicos.

Sempre que metralho caracteres para o teclado, os meus desastrados dedos atropelam-se. Não faz mal, o importante é o registo, depois logo se verá. Disparada a rajada, eis-me no processo de arrumação, não sem antes beber uma taça de chá – como não fumo, bebo chá enquanto escrevo, ou petisco, o que é desaconselhável.

Só nessa altura olho para o ecrã e começo a corrigir os erros. Em quase todas as palavras há consoantes e vogais imiscuídas entre os acentos e as interjeições, pois no afã da tarefa primo com uma frequência assustadora nas teclas erradas e em várias simultaneamente.
Arrumada a casa, pergunto-me: – Será que isso tem algum interesse?

Por hoje, antes que me assaltem novas questões existenciais, o melhor é distrair-me um pouco a ver televisão, pois também faz parte da viagem.

No jornal da noite da estação local uns cantoneiros queixam-se de serem obrigados a trabalhar de alpergatas por falta de material apropriado, e minutos depois, pura coincidência, assisto a pequeno apontamento de reportagem sobre a aprendizagem do português no Uruguai. Não esqueçamos que o Brasil está apenas a umas centenas de quilómetros a norte.

No inevitável zapping que se impõe, demoro-me na Gol TV, onde semanalmente são transmitidos os principais jogos da Liga portuguesa – a Portugal Premium – e um magazine especializado com os melhores golos da jornada – o Portugol.

Os sul-americanos podem não saber grande coisa acerca do Portugal do presente ou do passado, mas em assuntos de bola certamente pedem meças aos milhares de treinadores de bancada, analistas e comentadores que pululam e continuarão a pulular no nosso país.

A Gol TV também cobre as tricas e dicas do futebol uruguaio. Chamam-me a atenção alguns dos craques locais com óbvia costela lusa. Marcelo Betencour, Miguel Oliveira, Pacheco, Pereyra. Este último é considerado um dos melhores jogadores do Uruguai.
publicado por JoaquimMDC às 19:05
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