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Sábado, 4 de Abril de 2009
O culto do chá mate

Os uruguaios, ainda mais que os argentinos, riograndenses ou paraguaios, todos eles grandes apreciadores de chá-mate, passeiam-se nas ruas, ou melhor, não saem à rua sem a sua garrafa de termos com água quente, que geralmente transportam debaixo do braço.

 

O mate, que tanto designa a erva como o vasilhame onde é preparada a decocção, representa para eles o que o chá verde representa para os chineses, vietnamitas e japoneses. Uns e outros não prescindem dessas miraculosas bebidas, faça quente ou faça frio. É algo de gutural, cultural também.

 

Confesso adicto de chá verde que sou, aprendi a substituí-lo pelo mate escosa buena em saquetas que se vende nos supermercados, enquanto não me decido a comprar mate a granel e equipamento apropriado, como qualquer rioplatense faria se estivesse no meu lugar.

 

Para preparar uma boa infusão é fundamental a erva, a cuia – feita a partir de uma cabaça devidamente seleccionada, que deve ser curada antes de ser utilizada como vasilha –, a bomba (geralmente fabricada em metal e que serve para sugar e filtrar a infusão), e a garrafa térmica, o garante de água quente durante várias horas, requisito fundamental. O uso da garrafa térmica em vez da tradicional chaleira é uma inovação uruguaia que permitiu que o mate passasse a ser bebido em qualquer lugar. No Uruguai, ao contrário dos restantes países, o mate compartilha-se, utilizando sempre a mesma cuia e a mesma bomba. É esta forma de partilha que o diferencia do chá ou do café.

«De acordo com o lugar, o momento ou a pessoa com quem o toma, o mate adquire diferentes significados. Pode ser alimento, companhia para as horas mais longas, ou simples factor de união e sinal de boas vindas», vem escrito no folheto turístico que os serviços de turismo uruguaios propositadamente prepararam.

 

A erva-mate provém de uma árvore que cresce espontaneamente nesta região sul-americana, em zonas de cultivo temperadas e pouco frias. Tem um conteúdo apreciável de cafeína, numa posição intermédia entre o chá e o café em termos de proporção do alcalóide. É estimulante, diurética e altamente nutritiva pois contém vitamina A.

 

A bebida data do período pré hispânico e está ligado à cultura dos índios guaranis. Companheiro inseparável do gaúcho desde o século XVII, com o correr dos tempos, o mate foi cativando também os habitantes da cidade.

 

Antes de ir dormir, prometo a mim mesmo aprender a preparar devidamente a cuica para o mate, já que a senhora Dolores se disponibiliza a ensinar-me.

 

– A cabaça deve ser bem enchida com erva-mate – diz ela, enquanto faz uma pequena concavidade num dos lados para poder despejar a água a ferver, que nunca deve cobrir por completo a preparação, pois seria falta de respeito para com a planta, que se pode considerar sagrada. Em jeito de conclusão, remata: – Os homens gostam dela mais amarga e as mulheres mais suave.

 

 

Enquanto lhe estudo os gestos, reparo que Dolores parece-se com a mulherzinha que me vende os legumes no mercado da Figueira, em Lisboa, que por sua vez me faz lembrar a minha tia Fernanda, que é freira.

É engraçado: Todos temos os nossos sósias, nos locais mais inesperados.

publicado por JoaquimMDC às 19:30
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2 comentários:
De António Bernardo F. Almeida a 6 de Abril de 2009 às 13:00
Ó pá tás cá com umas olheiras...
"À descoberta de raízes de portugas pelo mundo", faz parte da tua natureza. Esteve e está no teu sangue.A escrita está excelente. Para quando a edição destes textos em livro. Isto já merecia um documentário televisivo, o que é preciso para isso?.Não haverá nenhuma televisão interessada? Isto mau amigo é serviço público sim senhor...
Força ma friend...
Este blog já está nos meus favoritos.
Continuarei os comentários assim que puder.
BOM TRABALHO.
De António Bernardo F. Almeida a 6 de Abril de 2009 às 13:10
O teclado pregou-me uma partida muito foleira eu disse "mau" amigo, claro que o raio do a tinha que ficar ao lado do e. Já sabes "meu" amigo como é óbvio.
O trivial seria dizer continua, bom trabalho, etc...
no entanto, opto pelo trivial, não me ocorre mais nada e vou lendo sempre mais algo que tenhas para dizer.
CONTINUA...

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