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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Ramblas de Montevideu
vizeu pinheiro.JPG


Acompanhado por Keith, marido de Luísa, percorro a rambla costeira de Montevideu. Nuvens de chuva pairam sobre o rio da Prata. De Inverno, os ventos antárcticos dominantes não devem ser nada fáceis de suportar. Na paisagem urbana destaca-se um edifício que faz lembrar o Burj Al Arab, hotel de sete estrelas, coqueluche dos Emirados Árabes Unidos.
Após meia hora de percurso, desembocamos num centro histórico totalmente descaracterizado, onde sobrevivem alguns exemplares de edifícios de arte nova e arte deco, e, na Praça da Independência, um arco que assinala esta cidade fundada pelos portugueses. Sofre obras de restauro, espreitado por dezenas e dezenas de horríveis edifícios vidrados que vieram substituir os imponentes congéneres neoclássicos que assistiram (são hoje e símbolo) do crescimento do Uruguai como país independente.

Olhando um mapa da cidade apercebo-me da situação estratégica desse portão, exactamente a meio de uma rua que é Juncal numa das pontas e Ciudadela na outra. Aí estava a muralha que separava a cidade histórica congregada numa espécie de Península, um pouco como Colónia de Sacramento. Só que em Montevideu existe outra quase península, a sul, onde também foi erguida uma fortaleza.

Procuro nomes de ruas familiares e encontro uma dedicada a João de Solis, no centro histórico, e uma outra, já mais para o interior, dedicada a Fernão de Magalhães.
É domingo e as ruas estão vazias. Nas paredes o protesto: «parem com salários de miséria». Continentes diferentes, as mesmas revindicações.

Percorrermos bairros com casas muito degradadas, passamos pelo praça Matriz, até desembocarmos na praça Zabala, onde se conserva um pouco da Montevideu antiga. Uma estátua, um jardim, uma igreja, um grupo de turistas – os primeiros e únicos que avisto – e as persianas corridas nas janelas verdes dos edifícios do século XIX.
– Os seus proprietários foram com certeza passar o fim-de-semana em Punta Del Este. Correm os estores para evitar a entrada de luz – comenta o inglês.

Keith faz questão de mostrar-me o estado da casa onde viveu Carlos Gardel. Uma lástima. – Deviam transformá-la num pólo museológico. Já aqui vim várias vezes e deparei com isto sempre fechado – comenta.

Acabamos por descer até a parte norte da península onde nos devemos encontrar com a embaixadora e os seus convidados do ministério da Defesa português. Eles aguardam-nos, sentados ao balcão de um dos pequenos restaurantes do Mercado del Puerto, em frente do porto com o curioso nome de Rambla 25 de Agosto de 1825, a data de independência do Uruguai. É um mercado coberto, preenchido de cafés e restaurantes.

Paulo Viseu Pinheiro, director da política de defesa nacional, lidera uma equipa que aqui está em missão oficial. Para ele, a eleição das 7 Maravilhas dá a conhecer «a presença multissecular de Portugal que contribui para uma melhor estabilidade e paz no mundo». O político louva a nossa capacidade de nos misturarmos sem perdermos nem fazer perder outras identidades culturais, acabando por concluir que um local como Colónia de Sacramento «traz mais a Portugal e mais ao Uruguai».

O mundo tem destas coisas. Conversa puxa conversa, chego à conclusão que o director da política de defesa nacional é irmão de um amigo de Macau, Francisco Vizeu Pinheiro, homem sensível a estas coisas do património, daí a nossa cumplicidade.
publicado por JoaquimMDC às 12:52
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